segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Se Afogando em Justiça Divina

Havia uma piscina e uma criança. Devia ter uns quatro ou cinco anos - não a piscina, mas a criança. Como é extremamente perigoso de acontecer nessas situações, a criança estava se afogando.

Ela se debatia. Tentava nadar, mas não conseguia, tentava gritar, mas só conseguia engolir mais água. Aos poucos, suas forças iam se acabando. Seu fim estava próximo.

Do lado de fora da piscina, quatro homens, incluindo o pai da criança, assistiam à cena sem fazer nada. Eles tomavam coquetéis sentados na mesa sob um guarda-sol, e discutiam calmamente os motivos que os levavam à passividade.

-Eu até poderia interferir – disse o primeiro – mas não tenho obrigação. Veja bem, eu não tenho nada a ver com isso. Eu não empurrei a criança pra água, ela entrou por seus próprios meios. Não tenho responsabilidade nenhuma pelo que está acontecendo com ela. Porque querem que eu resolva todos os problemas do mundo?

O segundo homem foi um pouco mais condescendente:

-Olha, mesmo não sendo responsabilidade minha, eu estou disposto a ajudar. Só estou esperando ela pedir. Observem, mesmo no seu momento de maior dificuldade, em vez de se voltar para mim, ela fica lá, se debatendo, tentando se salvar sozinha. É muito egoísmo! Sinal que ela não confia em mim, não me tem no seu coração. Mas mesmo assim eu a amo. Só estou esperando ela chamar o meu nome, pedir diretamente a minha ajuda, pra poder salvá-la.

O terceiro homem foi enfático em reprovar os colegas:

-Eu adoro aquela criança, mergulharia lá agora mesmo pra salvá-la se dependesse da minha vontade. Infelizmente, no entanto, não posso fazer isso. Esse evento trágico é uma enorme oportunidade pra um de vocês mostrar a sua bondade. Imagina como seria anti-ético da minha parte interferir nos acontecimentos dessa forma, negando a todos vocês o livre arbítrio de decidir ajudar ou não? Não gostaria que os meus amigos fossem robozinhos manipulados por mim. Eu sofro terrivelmente, fico muito triste com a decisão de vocês de não ajudar a criança, mas infelizmente não posso intervir.

-Quem você pensa que é pra criticar a minha decisão? - O quarto homem, o pai, ficou furioso com a crítica do amigo. - Eu sou o pai da criança, você não tem direito nenhum de questionar o que eu faço ou deixo de fazer com ela. Eu a gerei, eu a criei, ela é minha! Só eu tenho o direito de decidir o seu destino. Se eu acho que o melhor pra ela agora é se afogar, quem é você para me questionar?

Mediante as sábias palavras do pai, o terceiro homem, humildemente, concordou fazendo um gesto com a cabeça. Tranquilos e seguros da retidão dos seus atos, os quatro continuaram tomando seus drinques, enquanto a criança terminava de se afogar.

9 comentários:

  1. que agonia esse texto!!!


    mas é uma excelente metafora à visão que os religiosos tem do deus de cada um...

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  2. Todos os homens são as versões de apenas 1 deus, cada um só depende do momento.

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  3. A analogia aqui não é essa, colega. A parábola aqui é a seguinte:

    Um senhor, já idoso, tinha um filho - um adulto jovem sob sua moradia. Não faltava nada para ele. Porém um dia ele decide viver a vida por conta própria e pegar sua parte da herança. Ele começa a gastar toda a sua herança com tudo o que vê: jogos, bebida e mulheres, embora tenha recebido muitos conselhos do seu velho contra fazer isso.

    O senhor idoso tentou aconselhar ele de todas as formas, mas ele de qualquer modo não ia dar ouvidos - afinal era adulto e independente de si. O velho pai tentou enviar várias cartas dando conselhos, mostrando o que poderia resultar de tomar as atitudes que vinha tomando, mas o jovem adulto rebelde simplesmente ignorava.

    Chegou ao ponto de contrair doenças sexuais e a falir financeiramente. Mas era independente, e por orgulho se recusava a seguir os conselhos de seu pai. No final, estava numa situação calamitosa e culpando o velho de não o ter criado direito. Mesmo assim, se recusava terminantemente a pedir ajuda ao seu velho - ele tinha um ego para ser massageado. Afinal era adulto e podia viver sua própria vida.

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  4. _____________


    Há um erro muito básico na analogia dessa texto:

    Nenhum dos 4 homens pode trazer a criança de volta á vida. Se pudessem, haveria algum sentido em deixá-la morrer afogada, pois essa seria uma experiência única que mudaria para sempre a forma de pensar dessa criança, ela morreu e reviveu, então perderia todo o medo.


    O sofrimento humano é muito grande, mas nossa existência é muito curta.


    Se depois da morte houver uma outra existência que seja eterna e sem sofrimentos, então valeu a pena sofrer e morrer, pois nesse caso o sofrimento foi só um tipo de aprendizagem. Mesmo um sofrimento extremamente intenso seria considerado como nada depois que a pessoa vivesse 1000 anos com ausência de sofrimento.






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  6. Com certeza, porque as pessoas ressucitam todo dia. Tá bom campeão, agora vai lá morrer pfvr

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  7. Certo, MisterKey, então poderíamos imaginar que aqueles 4 homens conhecem alguma forma de ressuscitar um afogado. Mas eles não vão ressuscitar aquela criança porque durante a vida ela não foi obediente como o pai gostaria que ela fosse, não admirava e elogiava o pai como ele gostaria que ela admirasse e elogiasse.

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  8. Você não entendeu a analogia. A piscina é o inferno, e os quatro homens são versões de deus, que deixou a criança se afogar, ou o homem se condenar.

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