quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Big Brother, Hipocrisia e Liberdade de Expressão

Esta postagem é um comentário sobre o meu vídeo "Big Brother, Alienação". Caso você não tenha assistido, é só clicar na imagem aqui do lado pra ver, e depois continuar a leitura.

Este vídeo recebeu algumas críticas bem recorrentes principalmente sobre minha coerência e sobre liberdade de expressão, e embora eu quisesse comentá-las, achei que seria enjoativo fazer outro vídeo só pra isso. É Big Brother demais no canal pro meu gosto :)

Então vou fazê-lo aqui. Se você tiver paciência pra ler, ótimo, siga em frente.

Primeiro um pouco do cenário: Eu fiz esse vídeo na intenção de divulgar uma postagem do Nelson Machado que vi através do Bernardo. Cheguei a pensar (e começar a preparar) um vídeo maior e mais detalhado, mas acabei preferindo me ater o máximo possível à mensagem original, sem desfigurar demais o post, e fazer um vídeo pequeno, facilmente compartilhável. Embora esses objetivos tenham sido aparentemente atingidos, acabei com uma mensagem levemente incompleta e abrindo margens a críticas bem recorrentes. Vamos a elas


Liberdade de Expressão

Cito essa crítica primeiro porque é a que discordo plenamente, então fica mais fácil. Não posso dizer que foi uma surpresa essa menção ter aparecido, mas pra mim foi uma surpresa a frequencia com que essa menção apareceu. Não sabia que tanta gente assim não entendia totalmente o conceito.

Liberdade de Expressão é exatamente você ter o direito de dizer tudo que quiser. Isso inclui a sua liberdade de criticar o Big Brother, assim como inclui a liberdade de criticar o crítico do Big Brother, criticar o crítico do crítico do Big Brother, criticar o crítico do crítico do crítico do Big Brother... e assim indefinidamente.

Seria um atentado à liberdade de expressão se eu estivesse tentando bloquear, derrubar o canal/página/site de alguém, processar, prender, ou silenciar qualquer pessoa de qualquer forma contra a vontade dela. Enquanto o mecanismo usado estiver sendo a tentativa de convencimento, através de palavras, nenhuma liberdade está sendo ferida.




Incoerência, Hipocrisia

Essa é um pouco mais complexa, e eu seria desonesto se dissesse que discordo totalmente de quem levantou esse ponto, estaria sendo apenas birrento e cabeça-dura. De fato, uma das coisas que eu repito demais no meu canal é que devemos debater qualquer assunto, que o "deixa disso" não leva a nada e é, ele sim, alienante. Alguns vídeos que são bons exemplos disso:



Por outro lado, existe outro padrão no meu comportamento muito recorrente, que é criticar as pessoas que usam entretenimento como forma de medir o "nível" dos outros e/ou se achar superior. Dois exemplos desse segundo padrão:


Este vídeo se encaixa perfeitamente no segundo padrão, e é visivelmente contraditório com o primeiro. Seria muito difícil eu fazer um vídeo que conciliasse ambos, a menos que eu fizesse um super longo, cheio de dedos, avisos, explicações - o que o tornaria enfadonho e aniquilaria o seu "alcance".

Entre o correto e o funcional, eu acabei fazendo a escolha (não tão conscientemente assim) pelo funcional. Isso não invalida, de forma nenhuma, a crítica de quem apontou a incoerência do vídeo com meu discurso sobre proselitismo.


O Que Devia ter Estado no Vídeo

Há pelo menos duas mensagens que deveriam estar no vídeo, e que teriam amenizado essa incoerência. A primeira delas, seria um direcionamento mais claro do "público alvo" da minha gravação.

Em algum lugar da minha mente, estava óbvio que o vídeo estava direcionado às pessoas que se acham fodas, cultas e "desalienadas" por não assistir Big Brother. Pessoas que usam as críticas ao Big Brother não como ferramenta para iniciar algum debate, mas apenas para massagear os próprios egos. Visivelmente, esse lugar na minha mente estava míope e ficou parecendo exatamente o contrário - que eu estava generalizando que todos os que criticam o Big Brother são assim.

Em seguida, faltou deixar mais claro por quê eu não vejo utilidade nenhuma em críticas ao Big Brother. Se você assistiu os vídeos "Lixo Cultural" e "Fanatismo Musical" provavelmente já tem uma ideia. Mas você não é obrigado a ter assistido. E se tiver assistido, não é obrigado a ter feito a ligação.

Fato é que eu sou um tanto enjoado com críticas a entretenimento. Via de regra, não concordo com nenhuma crítica que diz que entretenimento tem que ser assim ou assado. Não concordo que entretenimento tenha que ter uma função educativa, cultural, social, ou o que quer que seja. A função do entretenimento é - surpresa! - entreter, e só você é capaz de decidir se ele cumpre esse papel pro seu gosto.

E principalmente, não concordo que Big Brother seja mais (ou menos) alienante que futebol, novela, cinema, sair pra balada, ler o Mochileiro das Galáxias, jogar videogame, assistir The Walking Dead, Crepúsculo, Avengers ou The Big Bang Theory. É tudo uma questão de gosto, e de pessoas tentando achar que seu gosto é superior ao do vizinho. Não acho que se o BBB fosse extinto, as pessoas iam de repente usar o tempo vago pra debater a visão metafísica de Schopenhauer. Pelo contrário, iam se divertir com alguma coisa relaxante, alienante, sem sentido e sem contribuir para o futuro da humanidade. Assim como eu e você.

Essas coisas deveriam estar no vídeo. Mas não estavam. Culpa de quem? Minha.

9 comentários:

  1. Realmente, o seu vídeo passa outra visão. Achei os argumentos do seu texto coerentes.

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  2. Seu texto ficou ótimo, agora entendi muito bem seu ponto de vista, e posso concordar contigo sem medo!

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  3. Agora, com esse texto, o seu video ficou mais claro...

    Esse seu texto p/ explicar o vídeo foi uma boa pois eu tmb vi muita, mas, muita gente mesmo se confundindo (ou fingindo confusão, sabe como é, a carapuça serviu).

    Mas eu concordo totalmente com vc... Esse papo de 'Sou superior porq eu vejo TBBT no lugar de BBB' é ridículo.



    Além do mais, bom video, só aconselho a vc a não prever que as pessoas vão lhe entender e assim, não deixar claro o alvo de sua critica/opinião.

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  4. Putz, brincadeira... Peão ainda vem dizer que "ah, agora sim entendi seu vídeo!"... Será que tudo tem que ser destrinchado tintim por tintim pra entender a essência da coisa? Sinceramente, viu?

    Clarion, se houvesse um campeonato mundial de paciência, você estaria entre os finalistas...

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  5. Acabei de fazer uma crítica ao seu vídeo e agora ficou BEM esclarecido. Mas ainda discordo de você em dois pontos:
    * Pra mim existe sim um entretenimento mais inteligente e um mais burro,e na minha opinião essa distinção pode ser feita através de critérios objetivos, portanto eu me sinto no direito de crititar o entretenimento mais burro por mais arrogante que isso possa parecer. Também acho que existem formas para fazer isso sem que fique destacada a intenção de se parecer inteligente apenas, onde o debate é o foco da questão. E apesar de a função do entretenimento ser entreter e não educar acho que sempre cabem as críticas.

    * Big Brother pode ser tão alienante quanto quaquer outro tipo de entretenimento mas é compreensível que receba essa enxorrada de críticas pois é muito popular, em qualquer site que você entra aparece algo sobre o assunto, sempre tem pessoas comentando e etc.

    Mas eu concordo com a sua mensagem principal, também acho medíocre alguém fazer crítica a algo apenas para parecer inteligente, e isso acontece muito mesmo...

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  6. Não gostei do vídeo. Mas, gostei da explicação, razoável e inteligente. Não estou julgando, quem sou eu pra isso, é apenas uma humilde opinião.

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  7. Muita coisa esclarecida, com certeza. Ainda tem um ponto para o qual eu gostaria de chamar a sua atenção Clarion: de fato tudo isso que você citou no final pode ser de alguma maneira alienante, mas a questão do Big Brother tem um ponto chave para diferenciá-lo de tudo isso...A mídia em geral (não apenas a rede globo, mas também revistas e tudo o mais que toque no assunto big brother) reforça muito o fato dos participantes do big brother serem pessoas comuns, escolhidas, em teoria, aleatóriamente. Isso estando na televisão por um, dois anos, é um entretenimento como qualquer outro dos citados. Mas considerando que passa toda noite de seis em seis meses a mais de DOZE anos, com sempre o mesmo estereotipo de pessoas (com ligeiras alterações - homossexual, faxineira, policial, etc) da a impressão para os jovens de 14 anos ou menos que só existem pessoas daquele tipo, que ser diferente, cabeludo, barbudo, fazer videos sobre ateismo, etc, é "errado", "estranho"...entende? Claro que novelas e tudo o mais ja formavam esse tipo de conceito antes, mas ainda tem um impacto mental ligeiramente menor do que o Big Brother, por nao ter essa carta na manga de "pessoas reais/nao-personagens".

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  8. Eu Gosto de Big Brother é um bom experimento sociológico tanto para observar quem ta dentro da casa como para observar os comentário de quem está fora mais não assisto mais! afinal 13 vezes a mesma novela cansa né? mais se mudassem radicalmente o formato eu talvez voltaria a assistir !

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