segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

"Fézinha"

Durante a faculdade eu tive uma ou duas matérias sobre estatística, e como consequência nunca jogo em loteria nenhuma. Não é uma questão de moralismo, de princípios nem nada do tipo - é pura e simples compreensão do que significam as probabilidades.

Acontece que toda vez que algum amigo ou grupinho de amigos estão naquela rodinha preenchendo seus bilhetes, sempre tem algum pra pedir, insistir, teimar pra você "fazer uma fézinha". Normalmente eu recuso educadamente com uma frase solta sobre como as chances são ridículas, mas isso só costuma piorar a situação e me faz ouvir aqueles argumentos batidos de jogador. "Só ganha quem tenta".... "alguém tem que ganhar".... "já pensou se todo mundo ganha no bolão e só você continua pobre?".

Naquele dia eu não estava com muita paciência pra ouvir pela trocentésima vez essas frases. Mas em compensação, estava inspirado. Num lampejo de genialidade e sabedoria oriental, aceitei o bilhete sem titubear, e preenchi e devolvi no mesmo instante:



Meu amigo olhou com uma cara meio esquisita, como se eu estivesse cometendo alguma heresia.

-Pára de sacanagem! Faz um jogo sério!

-É sério! Qual o problema do meu jogo?

-1-2-3-4-5-6? Nunca vai dar essa combinação!

-É exatamente a mesma chance que você tem com qualquer outra combinação. Não tem diferença nenhuma...

Respondi na lata. Ele emudeceu, e eu gostei de acreditar que ele estivesse tomando consciência do tamanho da improbabilidade de acertar os seus seis números graças ao meu exemplo. Meu dois reais jogados fora nessa aposta serviriam como mártires da razão e da lógica, finalmente libertando aquele homem da sua crença vã na sorte. Fiquei olhando, aguardando o momento em que ele finalmente cairia de joelhos aos prantos me agradecendo por ter iluminado a sua vida com a minha sabedoria. Infelizmente não foi bem isso que aconteceu. A resposta dele foi:

-Mesmo assim, faz um jogo diferente!



Moral da história: A lógica e a razão não podem vencer a fé. Nunca.

13 comentários:

  1. Esta é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com a realidade terá sido mera coincidência.

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  2. Eu também não jogo e pela mesma razão que você.

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  3. será que é matematicamente certo mesmo? números aleatórios não teriam mais chances que números em sequencias? não entendo de matemática e nem jogo xD

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    1. O conjunto de combinações sequenciais é um subconjunto bastante diminuto do conjunto total de possibilidades, daí porque seria tão difícil observar um resultado com números em sequência. Mas isto é comparação entre conjuntos de combinações, tendo-se em vista o número de elementos de cada um. Se a comparação é entre combinações individuais, todas elas são equiprováveis, independentemente de ter números em sequência ou não.

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  4. semana passada deu 1-2-3 faltou só o 4-5-6 kkkkkkkkkk

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  5. Na verdade 1-2-3-4-5-6 é um jogo pior do que os outros por que é, por incrível que pareça, o jogo mais feito e que portanto gerará um prêmio menor, por que será dividido por mais pessoas. E, matematicamente, quando está muito acumulado em termos probabilisticos passa a valer a pena, ou seja, a probabilidade de você acertar multiplicada pelo prêmio fica maior do que o valor da aposta.

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  6. Levi Da Silva Moura10 de junho de 2013 05:11

    nao, voce tem 1/60*59*58*57*56*55*54 de sair uma combinação qualquer

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  7. na verdade a chance de uma sequencia é ainda menor, to com preguiça de pesquisar a explicaçao mas é sim..

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  8. Não, você está enganado. O cálculo que o Levi Moura apresentou é o correto.

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  9. vitor jose pinto coradi31 de dezembro de 2013 20:01

    Na verdade, as chances são as mesmas se você considerar que só existirá um sorteio.

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  10. Isso parece estranho mas se for olhar matematicamente, a probabilidade se dá por: grupo/total. O grupo de sequências é incrivelmente menor que o grupo de números aleatórios logo a probabilidade de cair uma sequência é bem menor que a dos grupos de aleatórios apesar de que cada número ter as mesmas chances de um pro outro.

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